AGORA TAMBEM TEXTOS SEM ACENTUACAO E SEM PONTUACAO

SOU O QUE SEREI

18 outubro

AAAHHrte 31

 

AAAHHrte 31 disponível.

As edições do AAAHHrte podem ser vistas/baixadas

 nos canais da EDITORA MERDA NA MÃO

ou na ZINETECA DIGITAL COLABORATIVA

ou pedidas por email: nyhyw@yahoo.com.br 


10 setembro

AAAHHrte 30

 AAAHHrte 30























Mais um AAAHHrte disponível. Nessa edição, temos mais uma fuderosa FANZINOTECAPA,  cortesia de Keven Rocha, além de rabiscage, colaborações de Julie Albuquerque, resenhas de publicações independentes e aquela galeria de acontecimentos interessantes.

Produção de agner nyhyhwh.

Formato digital.

As edições do AAAHHrte podem ser vistas/baixadas

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29 julho

AAAHHrte 29

 AAAHHrte 29





 Mais um mosaico alucinógeno de divulgações e acontecimentos interessantes. 

Disponível pela EDITORA MERDA NA MÃO

ou na ZINETECA DIGITAL COLABORATIVA

ou por email: nyhyw@yahoo.com.br


28 julho

a fábula da evolução

 

a fábula da evolução


por que sonhar, resmunga o porco, prefiro cheirar as tetas dessa vaca.

outro dia, a mesma moral:

"ó, cadela que me pariste

reza para a humanidade

recuperar seu instinto animal"


25 julho

colagem-montagem de versos diversos de Augusto dos Anjos

 

COLAGEM-MONTAGEM DE VERSOS DIVERSOS DE

AUGUSTO DOS ANJOS



Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênesis da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.


Com um pouco de saliva quotidiana

Mostro meu nojo à natureza humana.

A podridão me serve de Evangelho…

Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques

E o animal inferior que urra nos bosques

É com certeza meu irmão mais velho!


Os pães — filhos legítimos dos trigos —

Nutrem a geração do Ódio e da Guerra....

Os cachorros anônimos da terra

São talvez os meus únicos amigos!


Continua o martírio das criaturas:

— O homicídio nas vielas mais escuras,

— O ferido que a hostil gleba atra escarva,

— O último solilóquio dos suicidas —

E eu sinto a dor de todas essas vidas

Em minha vida anônima de larva!


Fator universal do transformismo,

Filho da teleológica matéria,

Na superabundância ou na miséria,

Verme — é o seu nome obscuro de batismo.


Eis-me passeando como um grande verme

Que, ao sol, em plena podridão, passeia!


E, em vez de achar a luz que os Céus inflama, 

Somente achei moléculas de lama 

E a mosca alegre da putrefação!


Sentir, adstritos ao quimiotropismo

Erótico, os micróbios assanhados 

Passearem, como inúmeros soldados, 

Nas cancerosidades do organismo! 


E erguendo os gládios e brandido as hastas, 

No desespero dos iconoclastas 

Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


Forma vermicular desconhecida


Em cismas patológicas insanas, 


Vomitar o pulmão na noite horrível


E comer o último óvulo do ventre!


Expulsar, aos bocados, a existência 

Numa bacia autômata de barro, 

Alucinado, vendo em cada escarro 

O retrato da própria consciência!


Parece muito doce aquela cana. 

Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda! 

O amor, poeta, é como a cana azeda, 

A toda a boca que o não prova engana.


O amor tem favos e tem caldos quentes 

E ao mesmo tempo que faz bem, faz mal; 

O coração do Poeta é um hospital 

Onde morreram todos os doentes.


Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem.. 

E não pôde domá-lo, enfim, ninguém, 

Que ninguém doma um coração de poeta!


Melancolia! Estende-me a tu’asa! 

És a árvore em que devo reclinar-me... 

Se algum dia o Prazer vier procurar-me 

Dize a este monstro que eu fugi de casa!


Sol brasileiro! Queima-me os destroços! 

Quero assistir, aqui, sem pai que me ame, 

De pé, à luz da consciência infame, 

À carbonização dos próprios ossos!


Ser semelhante aos zoófitos e às lianas, 

Ter o destino de uma larva fria, 

Deixar enfim na cloaca mais sombria 

Este feixe de células humanas!


Tome, Doutor, esta tesoura, e... corte

Minha singularíssima pessoa.

Que importa a mim que a bicharia roa

Todo o meu coração, depois da morte?!


Ah! Um urubu pousou na minha sorte!


Os defuntos então me ofereciam

Com as articulações das mãos inermes,

Num prato de hospital, cheio de vermes, 

Todos os animais que apodreciam!


Às alegrias juntam-se as tristezas,

E o carpinteiro que fabrica as mesas 

Faz também os caixões do cemitério!...


Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!


É a Morte — esta carnívora assanhada— 

Serpente má de língua envenenada 

Que tudo que acha no caminho, come... 

— Faminta e atra mulher que, a 1 de Janeiro, 

Sai para assassinar o mundo inteiro,

E o mundo inteiro não lhe mata a fome!


Chegou a tua vez, oh! Natureza! 

Eu desafio agora essa grandeza, 

Perante a qual meus olhos se extasiam... 

Eu desafio, desta cova escura, 

No histerismo danado da tortura 

Todos os monstros que os teus peitos criam. 


E haja só amizade verdadeira 

Duma caveira para outra caveira, 

Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!



Então dois ossos roídos me assombraram... 

— “Por ventura haverá quem queira roer-nos?! 

Os vermes já não querem mais comer-nos 

E os formigueiros já nos desprezaram.”


Não me incomoda esse último abandono. 

Se a carne individual hoje apodrece, 

Amanhã, como Cristo, reaparece

Na universalidade do carbono!


E eu, com os pés atolados no Nirvana, 

Acompanhava, com um prazer secreto,

A gestação daquele grande feto, 

Que vinha substituir a Espécie Humana!


Ao terminar este sentido poema 

Onde vazei a minha dor suprema 

Tenho os olhos em lágrimas imersos... 

Rola-me na cabeça o cérebro oco. 

Por ventura, meu Deus, estarei louco?! 

Daqui por diante não farei mais versos.


18 julho

CPI

 

INSTAURADA CPI PRA INVESTIGAR

A IMBECILIDADE DOS BOZONAZI



-Jura dizer a verdade e apenas a verdade perante esta Comissão?


-Juro.


-Vossa Senhoria é estúpido?


-O que? Não entendi…


-A pergunta é simples e objetiva: Você é estúpido?


-Ora, eu… bem… não, eu não sou estúpido.


-Vossa Senhoria está preso por mentir na sessão.


27 junho

AAAHHrte 28

 

AAAHHrte 28


 Mais um AAAHHrte disponível, com mais uma FANZINOTECAPA DE Mr. Klauzz e aquela galeria de acontecimentos interessantes.


As edições do AAAHHrte estão disponíveis pela

 Editora Merda Na Mão

ou na

Zineteca Digital Colaborativa

ou por email

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16 junho

Eudaimon

 

EUDAIMON


Ela toca sua mão. Alisa suavemente com as unhas. Pequenos beliscões na palma. Desliza os lânguidos dedos pelos seus. Afasta a mão direita ao mesmo tempo em que revela a esquerda, levemente oculta junto ao corpo, com a qual segura um punhal.

Coloca a arma em sua mão.

Ela aproxima o abdômen até encostar na lâmina. Se você forçar um mínimo para frente, a afiadíssima ponta penetrará aquela carne.

Segura seu pulso, conduzindo sua mão e o punhal para baixo até que o lado cego roça naquela suculenta vagina. Ela faz movimentos pra frente e pra trás, passando a arma por entre suas pernas. Um filete vermelho escorre pela virilha. Ela geme. De prazer.

Vira de costas. Rebola irresistivelmente pra você, as nádegas dançam num sincronismo hipnotizante. 

Sutilmente encosta o centro de sua vistosa bunda na ponta da lâmina. Mais um filete de sangue derrama-se de seu ânus.

Vira o rosto, te olha e sorri.

Vadia. Sabe que você pode matá-la a qualquer momento. Sem dificuldade. Mas você é frágil, é covarde. Ela é forte. Ela é a dominadora.

Você está com a arma nas mãos mas é ela quem te controla.

Tem uma ação para cumprir mas não consegue.

Não devia ter se envolvido. Agora tem medo. Não deveria ter medo. Pensou que era forte. Mas não é. Apenas enganou a si. Por que foi procurar aquela Sociedade?

Por quanto mais tempo ela pretende te torturar?

Quando ela senta em seu colo, não consegue mais segurar. O orgasmo explode como um vulcão. Então, um movimento muito rápido, percebe muito sutilmente a arma ser retirada de sua mão, quase ao mesmo tempo em que sente a estocada na carótida. Ela se farta em gozo e sangue, enquanto sua visão se apaga...