É O QUE É. E O QUE NÃO É.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Reboco Caído 40





No poema “Desinteresse por facilidades ou Se quisesse ser feliz, aderia a eterna ignorância”, Fabio da Silva Barbosa manda: “insônia / maldição que atormenta / aos de cérebro acelerado”.
A produção que nunca desacelera do Fabio me faz pensar no conceito de Hiperativo Criativo.
O Hiperativo Criativo não deve ser confundido com o Hiperativo Tradicional ou Autômato. O Hiperativo Autômato é aquele que se orgulha de ser hiperativo, de fazer mil coisas ao mesmo tempo, de nunca ter tempo pra nada, mas o que no final produz com tanta atividade? Nada. Absolutamente nada de útil. Seu preciosíssimo tempo é inteiramente dedicado para atender demandas do seu empregador, ou dos seus parceiros comerciais, ou dos seus líderes, ou para resolver problemas que ele mesmo criou. Vamos dar um exemplo. É só pegar qualquer dessas revistas de negócios e procurar alguma  matéria que relata a rotina de algum super executivo. Todos esses executivos endeusados no mundo corporativo são iguais. Acordam 5 da manhã, fazem alguma atividade física, leem 150 jornais nacionais e internacionais, capricham num café da manhã mega saudável e vão pra empresa, chegando ainda umas 8 da manhã. Então trabalham arduamente 17 horas consecutivas, voltam pra casa e ainda tem tempo de fazer mais uma atividade física, participar de seus sites e grupos sobre liderança e negócios, escrever mais um capítulo de sua autobiografia e preparar uma apresentação para o dia seguinte.
Mas o que ele produz nessas 17 horas de trabalho? Absolutamente nada de útil. Esse trabalho consiste simplesmente em participar de confortáveis reuniões regadas a drinks e petiscos, passeios de helicópteros, viagens em primeira classe. Sua rotina de tomada de decisões consiste na solução mais paliativa possível. Aquela que resolve um problema criando outros problemas ou que só resolve no curto prazo, gerando o retorno do problema piorado no médio / longo prazo. Assim fica fácil ser hiperativo. O Hiperativo Autômato simplesmente gasta todo seu tempo repetindo a estrutura vigente, garantindo o status quo, não cria nada, não resolve nada, e ainda se orgulha de ser superacelerado, fazer mil coisas ao mesmo tempo, ser viciado em “trabalho”, estar sempre com a agenda lotada, dormir pouco, nunca ter tempo pra nada, como se tudo isso representasse alguma qualidade por si só.
Já o Hiperativo Criativo é aquele que efetivamente cria, que produz, que estimula ideias, reflexões. Um exemplo? Ora, tá aqui. O REBOCO CAÍDO, claro, fruto do cérebro realmente acelerado do Fabio, que chega ao nº 40. Então depois de todo esse blablablá, vamos ao que esta edição traz para nóis: Capa dupla de Gutemberg Loki; poemas de Samuel da Costa, Clarisse da Costa, Elke Gibson, Gutemberg Loki, Fabio da Silva Barbosa; interessantes entrevistas com Teu Pai Já Sabe? e Felipe Rodríguez; texto de Wagner Teixeira. E se você estiver sem tempo pra ler o RC, reflita se não é porque você se tornou um Hiperativo Autômato.












Contato:
Fabio da Silva Barbosa


terça-feira, 20 de março de 2018

Pensando




Estava pensando
Ops não
Pensar não é aceito
Não é bem visto
Quase proibido
Pensar é apenas para uns poucos
Para o resto é obedecer e aceitar
Pastar e ruminar
Rir e fazer rir
Ah mas temos celulares, shoppings, redes sociais
Pensar pra que?
Deixe que a internet e nossos carismáticos líderes pensem por nós
Será que num futuro próximo
Pensar será crime?
Conseguirão descobrir e prender quem estiver pensando?
A evolução da repressão
Bom enredo de filme
Mas não duvide dessa ficção científica
Será?
O que fazer para evitar?
Melhor continuar pensando
Enquanto ainda temos essa liberdade

segunda-feira, 5 de março de 2018

SOBRE O ÚLTIMO JULGADO DO STF




 


Estava olhando o último julgamento do Supremo Tribunal Federal na TV Justiça sobre o assunto importante da vez... Essa cadeira... Olha essa cadeira.


Enquanto a minha no meu humilde emprego não tem nem braço, e a regulagem de altura não funciona. Tudo bem, meu trabalho não é importante como dos ministros do STF. Mas... Porra.  Olha essa cadeira!


Saca esse estofamento. Que material é esse? É couro? Legitimo? Quanto deve custar uma cadeira dessa? Deixa jogar no google, “Cadeira do STF”.  Hmmm… nada.
Pô, claro que não achei. Nem cadeira isso é. Tô dando vacilo.  É uma poltrona. poltrona stf… agora sim. Achei. Poltrona Ambassador, desenhada pelo arquiteto Jorge Zalszupin na década de 1970. Pô, então nem tem preço, foi feito sob encomenda. Há décadas. Já é relíquia. Vai virar artigo de museu ou ir pra acervo de algum zilionário. Será que após tantos anos continuam confortáveis? Ah, certamente que sim. Devem ser daquelas que continuam perfeitas a vida toda. Acho que nunca sentei numa poltrona da década de 1970. Muito menos desenhada por um arquiteto. Sou geração Casas Bahia, nada dura mais que um ano, quanto mais décadas. Bem, suponho que os meritíssimos mereçam repousar suas nobres nádegas em uma peça de arte. Afinal, Todos os dias têm decisões difíceis e importantes, precisam de um assento acolhedor pra clarear a mente.
Se eu tivesse uma dessas nem precisava de cama, dormiria nela mesmo. Só ia levantar pra mijar.
Mas um dia terei uma poltrona assim.
Quando tiver decisões importantes pra tomar.