É O QUE É. E O QUE NÃO É.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

2046

(Por Reverendo W. Van Baco)

era um garoto de roça, comia o cu de cabras e nadava no ribeirão pra relaxar. Depois fui pra capital estudar, comia o cu de putas e navegava na internet. Afinal me formei em medicina, comprei uma casa e um carro, comia o cu de patricinhas adolescentes e me divertia no bingo. Hoje, 60 anos, meus gostos mudaram um pouco, pago para travestis pintudos me fuderem e coleciono orquídeas. Esta é a mais rara, a Laeliaphedilum Masdevanopsis Orchidaceae. Quem come uma de suas folhas sonha o futuro na noite seguinte. No ínicio é interessante, mas depois enjoa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CRISE




(Por Wagner T.)








Na mesa a folha pálida
Na mão a caneta ávida
E no final o papel permanece intocado.
Por quê?

RASCUNHO SEM TÍTULO

(Por: Fenilisipropilamina Man)


1 – veja a lebre que foge
      recolhida em seu horror
2 – fugaz o olhar
      pálido o amanhã
3 – leões acocorados
      ninguém mais impera
      sobre a selva devastada
4 – selva de túmulos
      selva de amores esquecidos
5 – o tempo nosso já passou
      plante outra civilização você
      se assim desejar
      eu vagabundo apenas
      vago pela treva que desfaz
6 – imenso o pan...
                 “aí, meu irmão, fica quietinho, senão leva tiro.”
                 Dois. Armados. Um de cada lado.
                 “vai passando tudo, carteira, relógio, celular...”
                 Olho em volta. Nada nem ninguém. Que escolha? Levam tudo. Menos o pedaço de papel e a  caneta, claro. Quem vai roubar expressões alucinadas de um pseudo-artista desconhecido e fudido?
Volto a estar sós com meus versos malfeitos. De onde aqueles porras vieram? Distração: a maldita letra custou caro desta vez. Meu erro, achar que apenas eu ainda rastejava pela relva.

7 – e ainda não vai ser desta vez
      que escreverei versos de amor.

Glória


JESUS CRISTO É O SENHOR
INVOCA-ME NO DIA DA ANGÚSTIA EU
TE LIVRAREI E TU ME GLORIFICARÁS

(Por: Fenilisipropilamina Man)


Palácio? Sim, é um palácio. Coliseu, diriam os romanos. É teatro. É cinema. É programa de auditório. Um enorme telão atrás do palestrante. Imagens suaves para abafar brados selvagens. Sussurro hipnotizante, gritos purificantes. Quem cometeu a maior blasfêmia? Tem prêmio. Você tinha razão, é divertido. Que cadeira confortável. Vamos trepar aqui mesmo. Tô sem grana pro motel. Só uma dedada então. Na saída passamos na lojinha. Tá cara essa bíblia, hein? Num troca por um zine, não? Antes de ir roubamos umas lembranças, eu levo um pôster, você um bonequinho de borracha: “tô sem vibrador”. Jesus salva. Descemos a imensa escadaria, de volta à rua vagabunda. Curvo-me ante aquela construção deslumbrante, incontáveis metros de altura, inúmeras janelas, soberbas abóbadas, monstruosos pavimentos que ocupam todo o quarteirão. Arquitetura neoclássica, ou algo assim. Glória a ti, senhor, este seu humilde servo o saúda.

POEMA FEITO DE BELAS PALAVRAS ALEATÓRIAS ou BELO POEMA ALEATÓRIO FEITO DE PALAVRAS

(Por Reverendo W. Van Baco)

Embrião desfigurado
Semente atômica da cria
Protoplasma do caos e da sede
Filho bastardo da biogenética:
Nas noites sussurrantes que jazem
Corpúnsculos imóveis me tangem
Macabras profecias do saber.
Visões eletroencefálicas do medo
Crepúsculo lunar de interrogações
Nostalgia clássica.
Auscultar mormente o desafio
Abnegar também o prosaico
Brilhante temática de Andaluzia.
Fulgurações cíclicas
Elucubrações atmosféricas
Um porcentual cromático
O inabalável lamento das coisas.
Teocracia estática multivibratória
Incongruente confabulação do passado
Berço voraz transubstanciado em sombras
Aristocratas pálidos regurgitados em agonia
Cães onipotentes em glorioso júbilo orgânico
Declaração verboloquaz de pós-guerra consumista
A primazia é soberba próximo do fim.
Cataclismo total
Desconstrutivismo básico
Rosto retalhado pelas rosas
Esclerose celular múltipla
E quando não o era
Assim.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

REVELADA A ÚLTIMA SEMANA NÃO-DATADA DO DIÁRIO ULTRA-CONFIDENCIAL DE JOSENILTON FIGUEIREDO ABRAPUERI


(Por: Reverendo W. Van Baco)

Segunda:
O que é isso? Não pode ser real! Essa não é a minha vida! Crianças brincam, tantos sonhos, vendidos por uma mixaria. E agora a mente desorientada, mas as pernas sabem pra onde ir, me levam em passadas mecânicas. Não era isso. Quem me escolheu pra esse dia? Medo, muito medo.

Terça:
Idem.

Quarta:
Idem.

Quinta:
Idem, exceto... mas... por quê? Não, não quero. Me deixe. Sim, estou melhor agora. Abro a mente, viajo. Por que não me libertei antes? Sim, tudo vai ser diferente a partir de hoje.

Sexta:
Depois. Por aí. “Olha a loura preta um real. Loura preta um real.” Tomo duas. Adoro cerveja preta. Mais, mais. A região mais sórdida da cidade. Mesa ao ar livre. Gosto de contemplar a lua, ela é tão... tão... tão esférica, como pode? “Quer comprar uma bala, moço? Duas por um real”. Quero comprar sua bundinha, quanto é? Ela fica constrangida, desvia o olhar, continuo: quantos anos você tem? “Treze”. Te pago vinte reais, que tal? Ela resmunga qualquer coisa, de cabeça baixa. “Tenho que vender minhas balas”. Passo por uma rua deserta, ando no meio do asfalto, nada de calçadas, cabeça empinada, peito pra fora, braços balançando, olhar penetrante. Sou o dono dessa porra de rua. Um outdoor, garota-sonho-de-lingerie, anúncio de um fabricante de fraldas, acho. Uma porta aberta, escada pra cima, homens entrando. Não sabia que tinha um puteiro nesta rua. Veio na hora. Vou entrando, mas saio nem cinco minutos depois. Nunca vi putas mais broxantes, uma parecia o Jô Soares. Um boteco mais sujo que cu de elefante. Uma peituda gostosa me atende. “O que vai querer?” Seu decote. Puxa, como gosto do verão. Uma praça, várias pessoas reunidas assistindo uma apresentação, teatro de rua. Chego de mansinho por trás de um sujeito compenetrado na peça. Muita gente ao nosso redor. Tiro a carteira de seu bolso sem muita dificuldade. Outra rua deserta. Vejamos o que temos. Talão de cheque, uma nota de dez reais, carteira de estudante, RG, CPF, título de eleitor, comprovante de inscrição no concurso do TRE, cartão de telefone. Jogo todos os documentos no ralo do esgoto. A carteira com o restante enfio numa caixa de correio. Numa avenida, um traveco me aborda, mando tomar no cu. “Só se for agora”. Volto pra casa. Jogo a pasta no sofá, tiro o paletó, a gravata e o gel. Minha mãe ainda está acordada, assistindo TV. “É, estou sem sono hoje. É bom que podemos conversar, nem vi você esses dias. Como está lá o seu curso, de estratégia... como se chama mesmo?” Gestão estratégica de negócios, mamãe. Amanhã conversamos. Estou muito cansado.

Sábado:
...muito bem, risos, isso, ótimo, ótimo. Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha. Porra, porra, porra, PORRA!!! está definido. Amanhã vou me matar.

Domingo:
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