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terça-feira, 3 de maio de 2011

Mais do mesmo

"Nunca imaginei que ficaria empolgado com a morte de alguém. Demorou para acontecer", disse o bombeiro Michael Carroll, de 27 anos, cujo pai também bombeiro morreu no dia dos ataques, em Nova York. "Finalmente chegou... é uma boa sensação".

"Após toda a tristeza ao nosso redor, precisávamos disso. O mal foi extirpado do mundo", disse Guy Madsen, de 49 anos, um vendedor de Clifton, Nova Jersey, que foi de carro a Manhattan com seu filho de 14 anos.



Morte de Osama bin Laden reduz o risco nos mercados:



Para quem lê as duas notícias acima e possui uma mínima capacidade de associação de idéias e análise crítica não é preciso falar mais nada. Mas mesmo assim vamos contar uma fábula:
Era uma vez um poderoso reino desacreditado. Um império que ameaçava desabar. Uma crise que provocava incerteza quanto ao futuro. Então surgiu um novo líder. Jovial, carismático, eloqüente, e que representava as minorias, representava uma nova visão, um novo tempo. O progresso. A salvação. A euforia se espalhou. A esperança fez o povo voltar a sorrir. Mas o tempo passou, e a crise continuou. O reino permanecia estático, não crescia mais. O sorriso logo desapareceu. Os súditos passaram a duvidar de seu novo messias. O resto do mundo não mais temia aquele gigante, passou a apostar em novos impérios que tomariam seu lugar. O que fazer? Como recuperar o trono? Mas, espere: a resposta já foi dada. É só olhar pra trás. Vamos fazer o que vínhamos fazendo: provar que somos os mais fortes.

Então o império decide invadir um país do outro lado do mundo, sem pedir qualquer permissão, para destruir seu inimigo. Quem é seu inimigo? É um homem que parece uma sombra, que não deixa rastros. Um homem que só deu notícias nas últimas décadas através de vídeos de poucos minutos e péssima qualidade. Um homem que havia realizado a proeza de articular o maior atentado terrorista da história de dentro de uma caverna !!!! Embora o império declame o tempo todo para seus súditos ser o maior defensor existente da democracia, não há qualquer julgamento. O inimigo e seus comparsas são encontrados e sumariamente executados. No dicionário do império, justiça e vingança são sinônimos. O homem da caverna que ninguém via agora é que não será mais visto mesmo. Torna-se um homem sem corpo, é entregue ao mar. Segundo o império, em respeito a suas tradições. Como é nobre e honrado o império. O povo vibra. Não importa se as informações sobre os acontecimentos são obscuras e as evidências são descartadas. Somos os mais fortes novamente. Agora o resto do mundo vai voltar a nos respeitar e temer. A “justiça” foi feita. O mal foi derrotado. Todos serão felizes para sempre.

Ou pelo menos até a próxima reeleição...


Muito bem, vamos refletir um pouco. Então se alguém matar um ente querido nosso, podemos matá-lo? Sim, podemos, pois o Presidente do Mundo nos mostrou que isso é justiça. E os grandes líderes ocidentais estão de acordo e apóiam, então não há qualquer dúvida. Podemos matar também todos que estiverem próximos ao assassino quando o encontrarmos? Sim, podemos, pois certamente são cúmplices, tão terríveis quanto ele e que merecem o mesmo destino. Assim faremos um mundo melhor. E o que fazemos quanto aos corpos? Vamos continuar seguindo a receita dos piratas, jogá-los aos tubarões. Assim sobra mais espaço no navio para levarmos o tesouro.

A nação comemora. Mas a indústria armamentista comemora ainda mais. O que já era bom vai ficar ainda melhor. Em 2010, os EUA investiram cerca de 700 bilhões de dólares em exércitos e armamentos, segundo o portal Exame. (http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/os-paises-que-mais-gastaram-com-forcas-armadas-em-2010). Pra se ter uma idéia do que representa esse montante, se os EUA resolvessem doá-lo para a Gâmbia, transformaria este minúsculo e esquecido país da África Ocidental na 19ª maior economia do planeta. E daqui pra frente certamente estes investimentos crescerão muito. Afinal, os ianques precisarão se proteger da “iminente retaliação” dos terroristas. Pobres cidadãos estadunidenses, não sabem o que é festejar. A indústria armamentista sabe.

E assim a história continua. Segue o ciclo do patriotismo e do medo. A maneira mais fácil de governar. O orgulho da nação e o medo da ameaça externa legitimam qualquer medida imposta pelos líderes. Os estadounidenses estão amparados, e assim estão felizes. Não importa se a taxa de desemprego é a maior dos últimos tempos. Não importa se as liberdades individuais são cada vez menos respeitadas. Eles não querem emprego, não querem liberdade. Eles querem sangue!
A pergunta que fica é aquela de sempre: quem será o próximo a ser destruído?

estadounidenses celebram mais uma chacina promovida por seu governo


“Toda percepção é uma aposta” – Husserl, filósofo alemão.

6 comentários:

  1. Essa "morte" parece de encomenda. Obama subiu em popularidade, pras eleições do ano que vem. O risco de um ataque de falsa bandeira é grande, alusões à apropriação pela Al-Qaeda de material nuclear sugere a vingança, provavelmente em algum país europeu, o que serviria de pretexto pro império decadente invadir os países que não se alinham aos seus interesses. Se houvessem matado, mesmo, não exibiriam seu cadáver à exaustão, não? Mas ao contrário, sepultaram no mar o seu corpo para evitar a criação de um local de culto para os seus admiradores, em menos de 24 horas, "em respeito à tradição muçulmana". Nossa, como são respeitosos, esses soldados dos USA, não?
    Tem caroço nesse angu, ah, se tem.

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  2. Esse foi apenas mais um ato do teatro de marionetes

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  3. O ato norte-americano de revidar,lembra muito o direito de vingança,pela Lei de Talião. Na Babilônia, o Código de Hamurabi regulamentava a vingança, com a afirmativa: "Olho por olho, dente por dente". E os americanos do norte ainda se dizem cristãos!

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  4. Excelente texto! Quanta hipocrisia nesse nosso mundo...

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  5. Acrescentando somente que o mundo já é assim desde antes do Império Romano, desde quando Caim matou Abel. A verdade é que estamos dentro de uma Roda Gigante e talvez jamais consigamos descer sem cair das alturas.

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